O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) teve uma diminuição de 11,3 pontos em fevereiro, chegando a 105,8 pontos, após ter aumentado 12,6 pontos em janeiro, assegura a Fundação Getulio Vargas (FGV). Apresentou-se, nessa diminuição, a queda mais marcante desde setembro de 2020, com recuo de 14,5 pontos, menciona Anna Carolina Gouveia, economista do Instituto Brasileiro de Economia da fundação (FGV Ibre). Tanto a intensificação de janeiro quanto a redução de fevereiro foram alimentadas por turbulências no cenário internacional, explica a pesquisadora.
Segundo a especialista, nos próximos meses o indicador deve oscilar em um patamar de insegurança moderadamente alto. A economista leva em consideração que o panorama internacional pode manter muitas incógnitas em áreas políticas, bélicas e econômicas. Pondera também que não se pode descartar o surgimento de dúvidas no mercado interno nos próximos meses, principalmente por causa das eleições.
Anna salienta que, no primeiro mês do ano, o indicador sofreu alta devido a diversos “choques fortes globais”, incluindo a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e o ressurgimento de questões tarifárias envolvendo a China. Essas questões foram amplamente abordadas nos noticiários econômico e político em janeiro, com consequências para o IIE-Br do mês.
Em contrapartida, a economista enfatiza que as discussões sobre esses tópicos se “amenizaram” em fevereiro. Essa modificação na abordagem das notícias foi um fator para a queda do índice no mês.
Essa moderação no noticiário é perceptível em dois tópicos usados para cálculo do indicador. O componente de Mídia do IIE-Br diminuiu 12,8 pontos, para 109,7, enquanto o componente de Expectativas, que mensura a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, recuou 0,8 ponto, para 87,6 pontos.
Questionada sobre as perspectivas futuras do indicador, a economista admite que novas notícias internacionais poderiam provocar novos aumentos. Cita o acirramento recente de conflito entre Irã e Estados Unidos e conflitos bélicos entre o Paquistão e o Afeganistão.
“Conseguimos perceber que as incertezas globais estão vindo de todos os lugares. Não são questões que serão solucionadas rapidamente. São questões turbulentas que estão acontecendo esse ano e que vão impactar o indicador para os próximos meses”, concluiu Anna.
