25/07/2026
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El Niño atinge recorde em julho e ameaça evento histórico

O fenômeno El Niño alcançou uma intensidade inédita para o mês de julho, segundo análise da MetSul Meteorologia. O aquecimento das águas na região central-leste do Oceano Pacífico já supera +2°C, um patamar associado aos episódios mais intensos já registrados.

A avaliação da empresa é que o evento de 2026-2027 pode se tornar o mais forte desde o início das medições instrumentais, caso as projeções para os próximos meses se confirmem. Especialistas ressaltam que previsões de longo prazo carregam incertezas e que a intensidade final do fenômeno dependerá da evolução das condições oceânicas e atmosféricas ao longo do segundo semestre.

Segundo a MetSul, as anomalias da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, área usada pela NOAA, estão entre +2,1°C e +2,2°C. Embora “Super El Niño” não seja uma classificação oficial, o termo descreve episódios com anomalias superiores a +2°C. O dado chama atenção porque esse nível de aquecimento foi atingido ainda em julho. Nos grandes eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2023-2024, esse patamar só foi alcançado entre setembro e novembro. No episódio de 2015-2016, isso ocorreu apenas em meados de setembro. Para a MetSul, nunca houve um episódio que atingisse intensidade tão elevada tão cedo no calendário.

As projeções mais recentes de modelos climáticos internacionais apontam para um fortalecimento adicional do fenômeno durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul. A mediana dos principais modelos indica que o Índice Oceânico de El Niño (ONI) poderá atingir aproximadamente +3,6°C no final de 2026. Caso isso se confirme, o valor superaria o recorde observado no evento de 1997-1998. Alguns modelos isolados projetam aquecimento ainda maior, entre +4°C e +5°C, mas esses cenários representam estimativas extremas que ainda precisam ser confirmadas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões. No Brasil, o Sul tende a registrar precipitações acima da média e maior frequência de tempestades, enquanto partes do Norte e do Nordeste costumam enfrentar redução das chuvas e períodos mais prolongados de estiagem.

Se o cenário atual se mantiver, a MetSul projeta aumento expressivo da ocorrência de eventos extremos nos próximos meses, especialmente na Região Sul. Entre os principais impactos esperados estão chuvas acima da média, maior frequência de episódios de precipitação extrema, aumento do risco de enchentes e inundações, e ocorrência mais frequente de temporais com vendavais e granizo. A influência do El Niño também costuma elevar as temperaturas médias globais, somando-se ao avanço das mudanças climáticas induzidas pelas emissões de gases de efeito estufa.

Apesar dos sinais de fortalecimento, meteorologistas destacam que projeções para vários meses à frente possuem margem de incerteza. A NOAA considera que a caracterização de um El Niño depende não apenas da temperatura do oceano, mas também do acoplamento entre oceano e atmosfera. Os modelos são revisados continuamente conforme novas observações se tornam disponíveis. Embora o cenário atual seja considerado excepcional para esta época do ano, ainda será necessário acompanhar a evolução das condições climáticas nos próximos meses para confirmar se o El Niño de 2026-2027 estabelecerá um novo recorde de intensidade.

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Sobre o autor: sofia@almeida

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