24/07/2026
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Angela Davis: Supremacistas brancos saíram do armário

Em sua décima visita ao Brasil, a escritora e ativista Angela Davis, uma das principais referências do feminismo, participa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em entrevista no Rio de Janeiro, ela falou sobre política, sistema prisional e supremacia branca.

Davis afirmou que a supremacia branca nos Estados Unidos não está em ascensão. Para ela, os grupos extremistas apenas “saíram do armário”. Ela rebate a ideia de que o presidente Donald Trump representa a maioria da população americana, lembrando que as pesquisas indicam apoio de cerca de um terço dos eleitores.

Defensora do fim do sistema carcerário, a ativista explicou que a abolição das prisões não minimiza o sofrimento das vítimas. Ela defende a justiça transformativa, que leva em conta as condições sociais que levam uma pessoa a cometer crimes. Davis criticou o uso de tecnologias como reconhecimento facial e policiamento preditivo, que classificou como perigosos por terem base no racismo estrutural.

Ela contou ter visitado a prisão de Pelican Bay, uma das piores dos EUA, onde encontrou um grupo de leitura formado por presos que estudavam o intelectual francês Michel Foucault. “Foi emocionante e muito, muito triste”, disse.

Sobre o movimento “Defund the Police”, Davis avaliou que ele fracassou por causa de intervenções conservadoras, mas que as bases para a resistência continuam. Ela citou comunidades que se levantaram contra o ICE (serviço de imigração) em estados como Minnesota e Chicago como exemplo de que o desejo por uma democracia real não foi destruído.

A ativista também comentou a causa palestina. Para ela, equiparar antissemitismo à solidariedade com a Palestina é uma tática conservadora. Davis afirmou que pesquisas nos EUA mostram que a maioria da população se inclina mais para a solidariedade palestina, mas lamentou que tenha sido necessária a destruição de Gaza para que essa sensibilidade política surgisse.

Questionada sobre as fraquezas do movimento progressista, Davis disse que falta organização. “Não encontramos as formas organizacionais que nos permitirão dar expressão a esses sentimentos políticos”, afirmou. Ela atribuiu parte do problema à concentração de riqueza e à ascensão dos bilionários.

Angela Davis participa da Flip no sábado (25), às 18h, no Sesc Caborê, em uma plateia com capacidade para 700 pessoas. Ela está acompanhada da acadêmica Gina Dent, com quem escreve um livro sobre jazz.

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Sobre o autor: sofia@almeida

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