A Fifa divulgou neste sábado (8) um comunicado para denunciar o que chama de “um esforço orquestrado e contínuo por parte de alguns para minar a instituição e o seu presidente”, Gianni Infantino. A declaração ocorre em meio à turbulência causada pelo projeto, que não avançou, de abrir a entidade a investidores privados.
Infantino, candidato à reeleição para o comando da Fifa em 2027, tem sido alvo de críticas, principalmente da Uefa. A entidade europeia manteve na quinta-feira a ameaça de boicotar as Copas do Mundo, por considerar insuficiente a retirada do projeto. O dirigente ítalo-suíço enfrenta pressão desde o fracasso do plano de abrir a Fifa a investidores privados. Ele é o único candidato declarado até o momento e precisa da maioria dos 211 votos dos membros para ser reeleito em março, para um mandato de quatro anos. Infantino está no cargo desde 2016.
Acusações de favorecimento
Na sexta-feira, o jornal Telegraph publicou que o chefe do futebol mundial, que foi secretário-geral da Uefa de 2009 a 2016, teria usado seu poder para garantir a promoção de uma funcionária da instituição com quem mantinha um relacionamento íntimo. Infantino negou as informações da matéria. O jornal britânico, que não cita fontes, relata que a funcionária, após ser promovida na Uefa, recebeu uma “indenização de seis dígitos” ao deixar o cargo, em ano não especificado. O valor incluiu o pagamento de despesas de um curso em uma escola de negócios, de cerca de 50 mil euros (aproximadamente R$ 292 mil na cotação atual).
Consultada pela AFP, a confederação europeia admitiu “que foi feito um pagamento” na ocasião, “acompanhado da quitação das despesas de um programa de MBA em uma escola de negócios local”. Sem mencionar a reportagem, a Fifa respondeu em comunicado: “Informações recentes incluíram alegações infundadas e afirmações claramente falsas sobre a Fifa e seu presidente”. A entidade acrescentou que “especulações e insinuações não devem ser apresentadas como fatos, e a repetição não transforma uma acusação em verdade”.
Apoio da Conmebol e da CAF
A Fifa iniciou o comunicado relembrando o apoio das confederações da América do Sul (Conmebol) e da África (CAF). A entidade ressaltou que “não apoiará, facilitará nem tolerará qualquer processo relativo à eleição do presidente da Fifa que seja incompatível com os estatutos”. O texto também afirmou que “aqueles que não contam com o apoio das Associações Membro da Fifa não devem tentar obter, por meio de acusações, insinuações ou desinformação, o que não conseguem alcançar através dos processos democráticos estabelecidos pela Fifa”.
A resposta da Fifa ocorre quatro dias após uma reunião de crise no Marrocos, que terminou com “apoio total” da direção ao presidente e “pedidos de desculpas pelos erros” na tomada de decisões sobre o projeto de privatização. A entidade afirmou que “não foi nossa intenção que o Conselho ou as associações membro se sentissem excluídos do processo, que deveria ter sido conduzido de outra maneira”.
Boicote e pedido de renúncia
Um dia depois, a Uefa reiterou seu boicote às competições da Fifa, incluindo as Copas do Mundo, ressaltando a “perda de confiança” em Infantino. O dirigente recebeu o apoio da CAF e, na sexta-feira, viajou a Cali para acompanhar a posse de Abelardo de la Espriella como presidente da Colômbia, onde encontrou apoio da Conmebol. O presidente da entidade sul-americana, o paraguaio Alejandro Domínguez, disse a um veículo de imprensa local que “não se pode ignorar esse grande trabalho (de Infantino)”. Ele afirmou que “é preciso continuar trabalhando pelo futebol, com diálogo. Nem sempre é preciso concordar”.
Horas antes, a Federação Norueguesa de Futebol (NFF), que lidera as críticas a Infantino há vários anos, pediu sua renúncia. O anúncio foi feito por sua presidente, Lise Klaveness, vista por alguns observadores como uma possível candidata a sua sucessão.
