A terceira Copa do Mundo realizada no México começa nesta quinta-feira (11), com vários grupos sociais prometendo protestos para chamar atenção para suas reivindicações. A partida de abertura será entre México e África do Sul, às 13h locais (16h em Brasília), dando início ao maior torneio da história, com 48 seleções e 104 jogos.
O evento será organizado pela primeira vez por três países: Estados Unidos, Canadá e México, que já sediou o torneio em 1970 e 1986. Torcedores como Ingrid Orozco, de 40 anos, disseram à AFP que “já é festa no México”, enquanto Gustavo Ramírez, de 19 anos, afirmou que nunca imaginou ver outra Copa no país.
O torneio chega cercado de polêmicas, como o alto preço dos ingressos, a recusa de vistos para os Estados Unidos e a guerra no Oriente Médio, que fez o Irã transferir sua base de treinamento do Arizona para Tijuana. A competição reúne grandes seleções e estrelas do futebol, com a Argentina de Lionel Messi buscando defender o título conquistado em 2022.
Na cerimônia de abertura, o tenor Andrea Bocelli cantará o hino oficial “DNA”, e a cantora Shakira interpretará “Dai Dai” ao lado do nigeriano Burna Boy. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, não comparecerá à abertura, mas afirmou que o evento transcorrerá “em paz”, apesar dos protestos que já causam caos na capital mexicana desde a semana passada.
O México é o país com a maior torcida entre os co-organizadores, e o Estádio Azteca é chamado de “catedral do futebol” pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. No entanto, a paixão não é a mesma de edições anteriores. Uma pesquisa mostrou que apenas 35% dos mexicanos confiam em sua seleção, que nunca passou das quartas de final.
A competição ocorre em um contexto de relações tensas com os Estados Unidos de Donald Trump, que ameaçou intervir no México contra cartéis de drogas. Os preços altos dos ingressos deixaram as classes populares fora dos estádios, que optaram por usar a atenção da mídia para protestar. Uma faixa no caminho para o Azteca pedia “boicote à Copa do Mundo Fifa 2026”.
Professores do ensino fundamental e médio protestam há mais de uma semana por melhorias salariais e de aposentadoria. Nesta quinta, familiares de desaparecidos e outros grupos se juntam a eles, com o objetivo de convergir para o Azteca e criar caos na cidade de 22 milhões de habitantes. Sheinbaum chamou o protesto de “provocação” e disse que não cairá na armadilha, anunciando que acompanhará o torneio com o povo em telonas no Zócalo.
