10/08/2026
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Brazil Soccer Bodies Tell Infantino: Football Belongs to No One

Brazil Soccer Bodies Tell Infantino: Football Belongs to No One

A Uefa, a Concacaf e a AFC publicaram uma carta conjunta nesta segunda-feira (10) criticando o presidente da Fifa, Gianni Infantino. No texto, as três confederações continentais afirmam que o futebol “não pertence a nenhum indivíduo”. A ação aumenta a pressão sobre o dirigente em meio à crise que atinge a entidade máxima do esporte.

“A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter — ou exigir — o poder para si próprio”, dizem as confederações na carta. O documento, intitulado “carta aberta à família do futebol”, também afirma que “quando a confiança é rompida por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, este dever foi abandonado”.

Confederações divididas

O texto não conta com a assinatura da CAF (África), que reúne 54 federações nacionais, nem da Conmebol, que tem 10 federações, incluindo Brasil e Argentina. A OFC, da Oceania, com 13 países associados, também não assinou a carta. Essas três confederações seguem como os principais apoios de Infantino.

Único candidato declarado até o momento, Infantino precisa da maioria dos 211 votos dos membros da Fifa para ser reeleito em março para um novo mandato de quatro anos. Ele está no comando da entidade desde 2016. No sábado, a Fifa publicou um comunicado em defesa de seu presidente, destacando o apoio da CAF e da Conmebol. No texto, a entidade denunciou “um esforço contínuo e orquestrado por parte de alguns para minar a entidade e seu presidente”.

A crise ganhou força após reportagem do jornal britânico Telegraph, publicada na sexta-feira. O jornal afirmou que Infantino, que foi secretário-geral da Uefa entre 2009 e 2016, teria usado seu poder para promover uma funcionária com quem mantinha um relacionamento íntimo. Segundo a publicação, que não cita fontes, a funcionária recebeu uma “indenização de seis dígitos” ao deixar o cargo e teve as despesas de um curso em uma escola de negócios pagas, no valor de cerca de 50 mil euros (aproximadamente R$ 292 mil).

A Uefa confirmou à AFP que “foi feito um pagamento” na ocasião, “acompanhado da quitação das despesas de um programa de MBA em uma escola de negócios local”.

Boicote à Copa

O cenário de instabilidade começou no fim de julho, quando foi revelado o projeto de Infantino de abrir a Fifa para investidores privados. A proposta foi posteriormente abandonada. Na quarta-feira, o dirigente ítalo-suíço organizou uma reunião de crise no Marrocos, que terminou com “total apoio” da direção da Fifa ao presidente e “pedidos de desculpas pelos erros” na condução do processo de privatização.

A Uefa, que lidera as críticas a Infantino, mantém a ameaça de boicotar as Copas do Mundo. Para a entidade europeia, a retirada do projeto e os pedidos de desculpas não são suficientes. Na carta conjunta, Uefa, Concacaf e AFC afirmam que a Fifa trata o caso como “uma falha de comunicação”, mas que o que o futebol testemunhou foi “uma falha de julgamento” e uma “ruptura fundamental da confiança”.

As três confederações negam que a questão seja financeira. “As confederações já solicitaram uma distribuição responsável das vastas reservas existentes da Fifa para reforçar ainda mais o investimento no desenvolvimento das federações-membro”, diz o texto. A carta também critica a postura da cúpula da Fifa: “Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência. Não são as qualidades que o futebol merece encontrar em sua liderança”.

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Sobre o autor: sofia@almeida

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