O presidente interino do Corinthians, Osmar Stabile, publicou uma carta aberta nesta sexta-feira para comentar a repercussão de uma reportagem sobre a dívida do clube. No texto, direcionado a conselheiros, associados e torcedores, Stabile defendeu a atuação da diretoria e fez uma reflexão sobre os desafios financeiros enfrentados pelo clube.
Stabile afirmou que a informação de que a dívida do Corinthians teria ultrapassado R$ 3,3 bilhões, divulgada inicialmente pelo Meu Timão, não refletia a realidade das finanças do clube. Segundo ele, apesar da retratação do veículo, a notícia gerou impactos negativos e chegou a afetar negociações em andamento com parceiros considerados estratégicos.
“É com um misto de preocupação e serenidade que observo como a informação, inicialmente equivocada, repercutiu tão amplamente, gerando impactos negativos até mesmo em negociações já avançadas com parceiros fundamentais para o desenvolvimento do Corinthians”, escreveu o dirigente. Ele completou dizendo que a diretoria tem se dedicado a um projeto financeiro que visa a redução das dívidas com transparência e ética.
Déficit de R$ 168 milhões
A manifestação de Stabile ocorreu no mesmo dia em que o Corinthians divulgou o balancete de abril. O documento aponta um déficit acumulado de R$ 168,048 milhões nos primeiros quatro meses de 2026. O valor é cerca de 130% superior aos R$ 72,9 milhões previstos no orçamento para o período.
De acordo com a diretoria, o resultado negativo está ligado à ausência de vendas de jogadores na primeira janela de transferências da temporada. O planejamento financeiro previa arrecadação líquida de R$ 75 milhões com negociações até abril, mas o clube optou por adiar as operações por causa da disputa da Libertadores e da estratégia de valorização dos atletas.
Em relatório, a administração alvinegra reiterou a expectativa de arrecadar cerca de 25 milhões de euros líquidos (R$ 148,4 milhões) com transferências na janela do meio do ano.
Despesas extraordinárias
O Corinthians também apontou despesas extraordinárias que impactaram as contas. Entre elas estão o pagamento de R$ 32,5 milhões referentes à premiação do elenco pela conquista da Copa do Brasil de 2025 e outros R$ 6,1 milhões em tributos relacionados à contratação do zagueiro Félix Torres.
Segundo a diretoria, se as negociações previstas tivessem sido concretizadas e as despesas extraordinárias não tivessem ocorrido, o déficit acumulado seria de R$ 54,4 milhões, abaixo da projeção orçamentária inicial. Apesar do resultado negativo, o clube registrou receitas operacionais brutas de R$ 273,1 milhões entre janeiro e abril, acima dos R$ 243,1 milhões previstos. Os patrocínios lideraram a arrecadação, com R$ 91,2 milhões, seguidos pelos direitos de transmissão (R$ 81,7 milhões) e pela receita com jogos (R$ 37,1 milhões).
