17/07/2026
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Como mulheres moldam ‘A Odisseia’ de Nolan

O poema épico “A Odisseia”, atribuído a Homero, conta a história do guerreiro grego Odisseu, que tenta voltar ao reino de Ítaca após anos lutando na Guerra de Troia. A perigosa viagem de volta dura uma década e é marcada por provas exaustivas e inúmeros perigos. A obra chega aos cinemas neste mês em uma adaptação dirigida por Christopher Nolan, com Matt Damon no papel principal. No Brasil, o filme estreia na quinta-feira, 16 de julho.

Embora o protagonista seja um homem, “A Odisseia” é uma história em que as mulheres ocupam papel central. A tentativa de voltar para casa e recuperar o reino depende das estratégias, dos conselhos e das seduções das deusas, ninfas e mortais que Odisseu encontra pelo caminho. Mais do que uma história de heroísmo, a obra fala de sexo, estratégia e poder.

O poema começa com Odisseu chorando na ilha de Ogígia, onde vive há sete anos ao lado da ninfa Calipso. Depois de se destacar nos campos de batalha de Troia, ele aparece derrotado e incapaz de seguir viagem. É necessária uma assembleia dos deuses para garantir a sua libertação da ilha. Odisseu admite que Penélope, sua esposa, não se compara à beleza de Calipso, afinal Penélope é apenas uma mortal.

Durante a longa ausência do marido, Penélope esteve longe da imagem de esposa passiva. Com coragem e astúcia, resistiu às investidas dos 108 pretendentes que ocuparam o palácio na esperança de se casar com ela e se tornar o novo rei de Ítaca. O estratagema de Penélope de tecer uma mortalha para o sogro e desfazer o trabalho todas as noites é um dos episódios mais marcantes do poema.

A principal aliada de Odisseu entre as divindades é Atena, a deusa da sabedoria e da estratégia. Ela o ajuda desde a Guerra de Troia e lidera os esforços para levá-lo de volta para casa. Quando ele chega exausto à terra dos feácios, é Atena quem organiza seu resgate. Ela esconde a aparência abatida dele e faz com que pareça divino, digno da hospitalidade daquele povo.

Odisseu encontra figuras femininas míticas ao longo da viagem. Ele desejava ouvir o canto das sereias, que viviam em uma ilha isolada cercada por rochedos perigosos. O canto de doçura irresistível era capaz de seduzir os homens e levá-los à morte. Odisseu ordena que seus companheiros o amarrem ao mastro do navio para que não pudesse se lançar ao mar em busca daquela melodia hipnotizante.

Circe era outra beleza perigosa. Homero a retrata como uma feiticeira, capaz de usar ervas e poções para transformar os companheiros de Odisseu em porcos. Embora faça dele seu amante, também torna possível sua descida ao mundo dos mortos, onde ele encontra o profeta Tirésias, que lhe oferece conselhos para a viagem de volta à Ítaca.

A mensagem que atravessa o poema é que monstros femininos e ninfas sedutoras não podem ser ignorados. Para vencer, Odisseu precisa ceder a elas, mas sem ir longe demais. As figuras que encontra colocam à prova sua determinação e sua capacidade de agir com moderação, uma virtude valorizada pelos antigos gregos.

Odisseu é um homem complexo, astuto e multifacetado. Mestre no engano, ele muda de identidade e de versão dos fatos conforme lhe convém. Inteligente, criativo e cheio de falhas, Odisseu é o herói mais humano da Grécia Antiga. Sua vulnerabilidade às seduções das mulheres é, ao mesmo tempo, sua maior força e sua maior fraqueza.

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Sobre o autor: sofia@almeida

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