O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, afirmou que o pai do falso médico preso nesta terça-feira (26) também exerceu ilegalmente a profissão. A declaração foi feita a jornalistas no 22º DP, na zona leste da capital. Segundo Gonçalves, o pai do suspeito teria ligação com o crime organizado. A identidade do homem e outros detalhes sobre sua atuação ilegal não foram divulgados.
O filho, Marcos Phelipe de Barros, foi preso suspeito de usar documentos falsificados para atuar como médico. Ele usava o registro de um médico verdadeiro, identificado como Nicolas. O caso ocorreu no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na zona leste de São Paulo. Juntamente com Maike César Silva, que está foragido no Chile, Marcos Phelipe foi alvo da Operação Hipócrates II.
A polícia investiga se os dois são responsáveis pela morte de nove pessoas. Os atendimentos eram feitos de forma precária e com erros. Em um dos casos, uma idosa teve uma parada cardíaca durante o atendimento. O falso médico não sabia fazer a reanimação, e a paciente morreu. Em outro episódio, uma mulher esperou oito horas por um exame e morreu de aneurisma na aorta. O IML concluiu que houve erro de procedimento.
Marcos Phelipe foi flagrado aplicando uma caneta emagrecedora em uma mulher na calçada de um residencial no Tatuapé. As imagens mostram o encontro rápido, de menos de dois minutos. A dupla teria realizado cerca de 2 mil atendimentos em dois anos na unidade. A Justiça determinou o afastamento da gestora operacional e do diretor clínico do hospital durante as investigações. Os nomes não foram divulgados.
O delegado José Mariano Filho, responsável pelo caso, afirmou que a investigação busca identificar quem deu suporte ao esquema. “Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas”, disse. A primeira fase da operação ocorreu em dezembro do ano passado. As diligências continuaram até a identificação de alguns alvos, que culminou na nova etapa de hoje.
A polícia cumpre sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. As ações ocorrem em São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes. O UOL procurou o Hospital de Clínicas Jardim Helena e tenta localizar a defesa de Marcos. O espaço segue aberto para manifestação.
