24/06/2026
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Brazil Corinthians VP takes leave amid allegations

Brazil Corinthians VP takes leave amid allegations

O vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, pediu licença do cargo na noite desta segunda-feira. O afastamento é válido por 30 dias. A decisão ocorre após desdobramentos do caso Nike, que resultaram em uma denúncia no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e em um pedido de impeachment apresentado por conselheiros do clube.

Com a licença de Mendonça, as demandas administrativas e institucionais do clube ficam sob responsabilidade do presidente Osmar Stabile. Caso Stabile não esteja disponível, quem assume interinamente é Leonardo Pantaleão, presidente interino do Conselho Deliberativo. O vice-presidente pode retornar ao cargo a qualquer momento, antes do fim do período de 30 dias.

O MP-SP denunciou Armando Mendonça por tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo. A denúncia, à qual a Gazeta Esportiva teve acesso, aponta que Mendonça retirou 131 itens de material esportivo da Nike, tentou subtrair 19 uniformes com o patch comemorativo da NFL e ficou com oito unidades desse uniforme. Há também acusações de ameaças a duas testemunhas durante uma auditoria interna do clube.

Na última sexta-feira, sócios e conselheiros protocolaram um pedido de impeachment contra Mendonça no Conselho Deliberativo. O pedido cita uma conversa gravada de cerca de 40 minutos com Marcelo Munhoes, diretor de tecnologia do Timão, e uma discussão do vice-presidente com torcedores nas redes sociais após o título da Copa do Brasil em 2025.

Armando Mendonça se manifestou por meio de uma carta. Ele nega irregularidades e diz que os dados foram mal interpretados. O dirigente criticou a divulgação das acusações antes da conclusão dos processos, afirmando que isso causou danos à sua reputação e à sua família. Mendonça também disse que pediu auditorias independentes, que não foram atendidas pela presidência, e classificou a condução do caso como “amadora”. Ele afirma que o afastamento não é admissão de culpa, mas sim uma forma de preservar a imagem do Corinthians.

“Não tenho apego ao cargo. Tenho apego aos meus princípios e aos meus ideais. Ao Corinthians devo respeito. À minha família devo proteção. À minha consciência devo fidelidade. E é com ela absolutamente tranquila que sigo adiante”, escreveu Mendonça.

Relembre o caso

Em novembro do ano passado, o Corinthians realizou uma auditoria interna que identificou possíveis irregularidades na distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike. A sindicância foi pedida pela diretoria do presidente Osmar Stabile. O relatório inclui a gestão do ex-presidente Augusto Melo e a atual administração.

O documento mostrou um aumento no número de itens retirados em 2025 em comparação com 2024. Também foram constatados materiais em condições precárias, almoxarifados com má higiene e indícios de comércio irregular de produtos do clube por funcionários do Corinthians. Em 2025, o clube recebeu 41.963 itens da Nike até outubro, um aumento de 24% em relação a 2024, quando foram 33.902 itens. O valor total dos materiais recebidos é de R$ 23.772.090,37, superando a cota anual não cobrável de R$ 4 milhões combinada com a fornecedora.

Dos 41.963 itens, 64% (26.730) foram para o almoxarifado do Parque São Jorge, que atende modalidades como futebol feminino, futsal e basquete. O almoxarifado do CT Dr. Joaquim Grava é reservado ao elenco profissional e diretoria. Armando Mendonça, principal alvo da auditoria, negou desvio de materiais e disse que pode ser vítima de manobras políticas, apontando falhas no relatório, que classificou como “enviesado”.

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Sobre o autor: sofia@almeida

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