A UEFA anunciou que não punirá com cartão vermelho jogadores que cobrirem a boca em situações de confronto com adversários em competições organizadas pela entidade. As informações são do The Athletic.
Responsável por torneios como Liga dos Campeões, Liga Europa, Liga Conferência, Eurocopa e Liga das Nações, a UEFA vai na contramão da FIFA, que passou a aplicar a regra na Copa do Mundo de 2026 e já puniu dois jogadores: Miguel Almirón, do Paraguai, e Piero Hincapié, do Equador.
Em abril deste ano, a International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol, anunciou uma alteração no regulamento para permitir a aplicação do cartão vermelho a atletas que cubram a boca durante confrontos com adversários.
A regra, conhecida no Brasil como Lei Vini. Jr., foi criada após Gianluca Prestianni, do Benfica, ser acusado de ofender de forma racista o atacante do Real Madrid enquanto o argentino falava com a boca coberta pela camisa. O argentino negou ter cometido racismo e posteriormente recebeu uma suspensão de seis partidas, sendo três delas convertidas em pena suspensa, por conduta homofóbica.
Apesar disso, a UEFA informou as federações nacionais filiadas que não adotará a nova regra. Em vez disso, orientará os árbitros a utilizarem o bom senso e interpretação de cada lance.
Segundo a entidade, a arbitragem deverá mostrar cartão amarelo aos jogadores que estiver “tentando ocultar sua comunicação como um ato de conduta antidesportiva”.
“Isso obviamente não prejudica qualquer investigação ou procedimento disciplinar que possa ocorrer em consequência ou em conexão com tal comportamento”, acrescentou a entidade.
A nova regra, entretanto, não proíbe de forma absoluta que um jogador cubra a boca ao conversar com um adversário. O contexto da situação continua sendo fundamental, cabendo aos árbitros determinar se a interação foi ou não um confronto.
Um exemplo disso ocorreu com o inglês Jude Bellingham. Durante uma conversa com Jordan Ayew, de Gana, no início do torneio, o meia cobriu a boca ao falar, mas não foi expulso, já que a situação não foi considerada confrontativa.
O chefe da arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, explicou a mudança em junho: “Se for uma conversa amigável, eles podem continuar fazendo isso sem qualquer problema. Quando é um confronto, a situação é completamente diferente. Cobrir a boca significa que você está fazendo algo potencialmente muito errado”, comentou.
