22/04/2026
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Cingapura alerta: Guerra EUA-China no Pacífico seria pior que Hormuz

O ministro das Relações Exteriores de Singapura, Vivian Balakrishnan, alertou que um eventual conflito entre China e Estados Unidos no Pacífico faria os eventos no Estreito de Hormuz parecerem um ensaio. A declaração foi feita durante o evento CONVERGE LIVE da CNBC, em Singapura.

Balakrishnan respondeu a uma pergunta sobre se a cidade-Estado enfrenta pressões de Washington e Pequim para escolher um lado. Ele afirmou que Singapura mantém relações com ambos os países e está em uma posição única para se beneficiar dos desenvolvimentos nas duas nações.

Os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro em Singapura, com cerca de 6.000 empresas americanas sediadas no país. Segundo dados do escritório do Representante Comercial dos EUA, Singapura tem um déficit comercial em bens com Washington de aproximadamente US$ 3,6 bilhões.

Por outro lado, a China é o maior parceiro comercial de Singapura, e o país é o maior investidor estrangeiro na China. O ministro disse que Singapura se recusa a escolher um lado. O modo como conduzimos nossos assuntos é avaliando o que está nos interesses nacionais de longo prazo de Singapura, e se tivermos que dizer não a Washington ou Pequim, não hesitamos, declarou.

Ele acrescentou que a nação age em seu próprio interesse nacional de longo prazo. Seremos úteis, mas não seremos usados, completou Balakrishnan.

Em outro momento, o ministro disse que o conflito no Oriente Médio mostrou que pontos de estrangulamento marítimos importam. Ele lembrou que Singapura também está localizada ao lado de uma das principais artérias comerciais do mundo, o Estreito de Malaca.

Em seu ponto mais estreito, o Estreito de Malaca tem duas milhas náuticas de largura, comparado às 21 milhas náuticas do Estreito de Hormuz. Balakrishnan foi questionado se as ações do Irã, que tenta cobrar pedágio de navios que passam pelo Estreito de Hormuz, poderiam incentivar outros países a fazer o mesmo em pontos como o Estreito de Malaca.

Em março, a mídia estatal iraniana informou que Teerã preparava uma legislação para impor taxas a navios que transitam pelo Estreito de Hormuz. O ministro de Singapura avaliou que esse cenário seria um risco se se concretizasse, mas os Estados que margeiam o Estreito de Malaca – Singapura, Malásia e Indonésia – têm um interesse estratégico em mantê-lo aberto e não cobrar pedágios.

Com relação tanto à América quanto à China, dissemos a ambos que operamos com base na UNCLOS, afirmou, referindo-se à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O artigo 44 da UNCLOS estabelece que os Estados que fazem fronteira com estreitos não devem impedir a passagem em trânsito… Não haverá suspensão da passagem em trânsito.

O direito de passagem em trânsito é garantido a todos. Não participaremos de qualquer tentativa de fechar, interditar ou impor pedágios em nossa vizinhança, enfatizou o ministro.

Em um momento em que a crise no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as tarifas comerciais dos EUA semearam desconfiança entre as nações, Balakrishnan destacou a importância de construir confiança. A confiança é basicamente uma forma de reduzir custos de transação. Ser previsível, ser ‘chato’, ser confiável, ser digno de confiança tem um valor real, disse.

As observações dele seguiram-se ao discurso do vice-primeiro-ministro de Singapura, Gan Kim Yong, que fez o discurso de abertura do evento. Gan afirmou que a confiança não pode mais ser presumida, ela precisa ser construída e fortalecida.

Singapura já é um centro financeiro importante, disse Gan, acrescentando que o próximo passo para a cidade-Estado será construir um ecossistema mais amplo para serviços baseados em confiança, incluindo gerenciamento de riscos, cibersegurança e governança de inteligência artificial.

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Sobre o autor: sofia@almeida

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