28/05/2026
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Moïse Kouame: a trajetória do « matcheur » que sempre lutou

O tenista francês Moïse Kouame, de 17 anos, enfrenta o paraguaio Daniel Vallejo nesta quinta-feira, 28 de maio, pelo segundo turno de Roland-Garros. Desde os primeiros passos nas quadras do Val-d’Oise, Kouame mostrou aptidões raras, especialmente a capacidade de melhorar seu desempenho quando a partida fica mais disputada.

O conselheiro esportivo territorial François Rouhier anotou o nome de Kouame pela primeira vez em 22 de janeiro de 2014. Com menos de 5 anos, a criança já chamava atenção. “Ele tinha qualidades de habilidade notáveis e gostava do tênis, não por razões erradas, como querer agradar os pais”, afirmou Rouhier, que acompanhou o jogador no comitê departamental de Cergy por três anos.

Erwan Rebuffé, técnico de Kouame por duas temporadas no Tennis Club Sarcellois, também destacou o potencial do atleta. “Moïse era muito jovem, mas já dava para sentir que poderia entrar no top 100 mundial”, disse o ex-educador, hoje psicólogo. Rebuffé lembrou que a mãe, Suzanne, era muito presente e levava os filhos para jogar nos fins de semana.

O que mais chama a atenção nos relatos dos treinadores é a palavra “matcheur”. Bruce Liaud, que trabalhou com Kouame no Pôle France de Poitiers entre 2021 e 2022, afirmou que o jogador era diferente quando havia contagem de pontos. “Ele tinha e ainda tem essa capacidade de ser melhor nos finais de set, de não errar nos momentos importantes”, explicou.

Rebuffé resumiu: “Quanto mais quente a partida, melhor ele joga. Ele era capaz de se superar no money-time, e isso já aos 7 anos.” O treinador contava que, quando oferecia uma recompensa ao vencedor ou pontos extras, o olhar de Kouame mudava. “De repente, ele corria três vezes mais rápido, buscava bolas mais longe e acertava os golpes certos na hora certa.”

Olivier Delaitre, ex-número 33 do mundo, acompanhou Kouame por um ano na All In Academy entre 2020 e 2021. Ele se lembrou de que o jovem era menor que os parceiros de treino, mas encontrava um jeito de vencer. “Ele tinha um lado Gilles Simon: quando chegava na partida, tinha algo a mais”, comparou Delaitre.

Kouame venceu o croata Marin Cilic na primeira rodada de Roland-Garros por 7-6 (4), 6-2 e 6-1. Liaud acredita que a repentina popularidade não desviará o atleta. “Ele é inteligente, determinado, sereno e focado no trabalho. Acho que não vai se perder”, concluiu.

Kokkinakis e a dúvida sobre o milagre

O australiano Thanasi Kokkinakis também chama atenção em Roland-Garros. Após superar lesões, ele busca manter o bom desempenho. A pergunta que fica é se o tenista conseguirá sustentar o ritmo ao longo do torneio.

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Sobre o autor: sofia@almeida

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